Angola proíbe documentário sobre a intervenção cubana em África
Angola proíbe documentário sobre a intervenção cubana em África

O governo angolano proibiu a exibição do documentário «Cuba, uma Odisseia Africana», realizado pela francesa Jihan El Tahri, sobre a presença cubana em África e a sua intervenção militar, nomeadamente em Angola. O documentário foi realizado em 2007 e revela África, um dos seus cenários mais desconhecidos, como um dos principais palcos da Guerra Fria.
Entre 1961 e 1989 as nações africanas que tinham alcançado a independência, ou que lutavam ainda por ela, tiveram que enfrentar não apenas as antigas potências coloniais, mas também as aspirações hegemónicas das duas potências, União Soviética e Estados Unidos, sobre o continente africano.
Os soviéticos queriam prolongar sua influência a um novo continente, os Estados Unidos aspiravam a apropriar-se das riquezas naturais de África, os países colonizadores sentiam escapar o seu potencial colonizador e as nações recém-criadas pretendiam defendiam a sua independência.
Através de alianças internacionais os países africanos tentaram manter-se aquém desta disputa e garantir a sua independência protagonizando uma luta contra o capitalismo, o socialismo e o colonialismo.
A ajuda dada por Cuba a revolucionários como Patrice Lumumba, Amílcar Cabral e Agostinho Neto foi importante uma vez que o país teve um papel de liderança na tentativa das nações africanas de controlar os seus próprios destinos.
O documentário aborda a Guerra Fria e os seus conflitos focando o envolvimento de Che Guevara no Congo ou a batalha do Cuito Cuanavale em Angola, mostrando como a Cuba de Fidel Castro teve um papel crucial, embora pouco conhecido, na nova estratégia ofensiva das nações do Terceiro Mundo.
São feitas algumas revelações que vão contra o que é do conhecimento do público em geral sendo talvez essas revelações a causa de alguns acontecimentos menos democráticos.
Segundo o documentário, o número exacto de soldados cubanos em território angolano era superior ao que é actualmente conhecido, mostra que foram os cubanos que estiveram nas frentes estratégicas da batalha do Cuito Cuanaval e que as tropas angolanas inicialmente sofreram derrotas nesta batalha.
Talvez por causa destas revelações, um professor da Universidade Lusíada, e também comentador político, mostrou o documentário «Cuba, uma Odisseia Africana» e, além de ter sido chamado à atenção pelos Serviços de Inteligência Militar, deixou de fazer comentários quer na Televisão Pública de Angola (TPA) quer na emissora estatal angolana (RNA).
O semanário «Novo Jornal» classificou como «censurado» o filme que está a gerar polémica.
Dernière mise à jour de cette page le 16/11/2009